Só agora é que
estava tudo muito mais fácil de entender, Richard me contara tudo o que sabia,
e eu pude descobrir que não era um garoto normal com pais normais e habilidades
que todo garoto tinha... Não! Eu tinha poderes se é que se pode chamar assim,
mas o que importa, é que eu acreditava neles e os fazia acontecer, pelo menos
era o que eu esperava que Richard me ensinaria. Pude ver que tinha amigos de
verdade, e o nomes deles eram Grace, Luke e Logan, todos eles me ajudaram a me
levar ate aqui desde o começo e eu não duvidara de nada, quer dizer, não pelo
fato de que eu lhes achei estranhos quando os conheci, mas eles de certa forma,
conseguiram me levar ate aqui sem eu saber de praticamente nada.
Richard me
mostrara ele levitando a água do mar e trazendo-a de um lado para o outro. Isso
era o que ele chamava de feitiço concentrado, pois para lhe executar, tinha que
haver total silencio e muita concentração. Mostrara-me também, como controlar a
mente dos outros, tendo como ajudante Grace. Ele fez Grace sair andando pela
floresta logo atrás da praia, e ela voltou quando ele desejou que a voltasse.
Agora, com certeza eu não poderia afirmar que feiticeiros não existiam e que
estas coisas eram somente historias, eles finalmente, me convenceram e eu estou
muito certo que isto realmente existe e não tem alguém que possa provar o
contrario.
Durante aquele
dia, eu pude conhecer praticamente todas as pessoas que faziam parte daquela
praia. Como sempre, em qualquer lugar tem que ter alguém que se responsabilize
pelos ferimentos de todos os outros, e esse alguém era a enfermeira que não era
muito boa em executar os feitiços defensivos e feitiços de ataque assim como
Richard, mas ela era uma das únicas que conseguia executar feitiços curativos.
Ela era a enfermeira Nancy.
Havia também, um
casal de velhos, os Robersons. Eles executavam mais, feitiços defensivos do que
de ataques. Túlio Rapper, era muito bom em feitiços que havia fogo, ao
contrario de Maison, que executava melhor a água. Grace fazia mais feitiços
defensivos, Logan e Luke executavam os feitiços de ataque. Enfim, todos podiam
executar um tipo de feitiço melhor do que o outro, o que os tornavam tão
especial, e era isto que eu queria descobrir de mim.
A noite chegara
logo, e era esta hora que todos iriam descansar do dia ansioso que tiveram
quando eu acordara depois de três dias inteiros. Túlio Rapper, com sua
extraordinária habilidade de executar feitiços de fogo, fez com que o pedaço de
madeira que havia no centro de todas as cabanas se ascendesse. O fogo era tão
intenso, que no inicio quase alcançou o céu escuro, iluminado somente pela bela
lua cheia. A lua era linda, e às vezes, quando eu olhava de relance, podia
jurar que via a imagem de uma bela mulher parecendo me chamar. Eu não sei o que
significava aquilo, podia ser qualquer coisa e eu acreditaria ate mesmo se
fosse mentira, pois hoje eu descobri que é possível executar feitiços, o que
não é normal.
Eu fui um dos
únicos a ficar ali fora, apreciando a chama do fogo, pois não estava com nenhum
pouco de sono já que dormira por três dias. Fiquei ali, vendo a fogueira junto
a Grace. Ela às vezes, sorria e pude perceber que ela me fitava toda a vez que
eu olhava para o sentido contrario de seus olhos. O vento começou a
intensificar naquele lugar, e os cabelos cacheados e ruivos de Grace,
acompanhavam o vento. O fogo foi apagado e assim, o local ficara escuro.
– Não se preocupe,
eu ascendo o fogo novamente –
Grace se levantou
da areia onde estava sentada e esticou suas mãos para os pedaços de madeira
empilhados onde estará o fogo, e com pouca intensidade, já que não era tão boa
em executar feitiços de fogo como Túlio, fez com que o fogo ascendesse
novamente.
– Você é boa! –
Elogiei Grace que por sua vez, corou.
– Não tanto como
Túlio. Ele fez um fogo muito mais intenso do que eu fiz agora – Disse Grace
ajoelhando na areia.
– Sente-se aqui do
meu lado, é melhor do que sentar na areia...
Eu estava sentado
em um enorme pedaço de madeira que servira como banco. Ela concordou, sentou-se
ao meu lado e colou sua jaqueta sobre seu corpo por causa do frio. Ela tremia.
– Você esta com
frio, quer minha blusa? – Lhe indaguei
– Não precisa,
estou bem.
O silencio se
retomou, e o barulho de grilos cantando se ressaltou. Eu não tinha mais o que
falar para ela, estávamos ali somente apreciando as chamas do fogo, olhando a
lua que parecia aumentar, e observando o céu estrelado. No segundo depois, ela
se arrastou no banco juntando-se mais perto de mim e deitou no meu braço
encolhendo-se por causa da brisa fria geando naquela praia. Agora eu podia
afirmar que estava muito frio.
– Brian, eu vou lá
à minha cabana pegar mais uma blusa, e já volto ta? Esta muito frio!
– Tudo bem! Daqui
a pouco eu vou entrar também.
Grace levantou-se
e seguiu em direção da cabana que na porta havia uma indicação em uma placa de
madeira que dizia “ Kate e Grace ”.Deveria ser os nomes de quem morava ali, só
não sabia se havia alguma Kate na praia. Comecei a reparar nestas placas de
madeira em todas as portas, e elas diziam: “ Ashley e Maison” ao lado direito
desta “ Túlio e Carl” “ Richard” “Robersons” e ao lado desta, finalmente
encontrava-se a minha que havia um nome por baixo a qual eu não conseguia ler
direito pois ele estava praticamente apagado. Meu nome estava por cima deste
praticamente apagado “Brian Pettry”.
Grace voltou, com
uma blusa ainda maior do que a outra que ela estava. Ela fechou novamente sua
porta de madeira e deixou Kate sua companheira, ou seja o que for, naquela
cabana sozinha.
– Quem é Kate? –
Lhe indaguei
Grace arregalou
seus olhos claros, e parecia que não queria falar desta tal Kate. E era isto
mesmo:
– Brian me perdoe,
mas eu não quero falar dela para você...
– O que? Não
confia em mim? – Eu lhe vi de relance, e voltei o olhar para ela novamente, ela
parecia triste.
– Não é isto, só
não contei isto para ninguém, e não é pra você que eu contarei. Na verdade, nos
conhecemos a uma semana.
– Eu posso lhe
ajudar...
– Desculpe Brian,
mas a única coisa que eu posso lhe dizer, é que ela não esta mais aqui, a Kate.
Grace ainda estava
de pé e não parecia a vontade com aquela conversa. Acho que ela estava certa,
não era a mim que iria contar pois ainda não tínhamos tanta intimidade ou mesmo
amizade uns com os outros.
– Desculpe Brian –
Repetiu Grace se virando novamente para a sua porta de sua cabana – Eu acho
que vou entrar... o frio esta piorando, acho que você deveria fazer o mesmo, ao
menos que queira pegar um resfriado. Boa noite.
– Boa noite
Grace virou-se
completamente sem dizer mais nada. Acho que ela se magoara. Ela entrou em sua
cabana e com a porta semiaberta, sorriu. Agora estava sozinho ali em volta
daquela fogueira, não tinha mais nada para fazer diante das chamas do fogo,
então eu decidi que iria entrar na minha cabana e tentar dormir para o tempo
passar rápido. Foi isto o que fiz.
A minha cabana,
era a mais perto da floresta que ficara escura de noite. Olhei meu relógio de
pulso pensando que eram umas onze horas da noite, mais me enganei, já era quase
uma hora da madrugada. Dentro de minha cabana, estava mais quente pela palha
que servira como “cobertor” do cômodo. Tirei os sapatos e os coloquei ao lado
da cama com a intenção de acordar na manha seguinte e coloca-los novamente.
Caminhei ate a outra porta que ficava mais no fundo e mais perto ainda da
floresta sombria e escura, lá era o banheiro. Este era o padrão de todas as
cabanas que continha um quarto com duas camas rústicas, uma mesa, duas
cadeiras; e no banheiro, havia normalmente um vaso sanitário, uma pia e um
chuveiro, tudo como se tivesse encanação e água em uma ilha perdida no mar, mas
na verdade, o que se responsabilizava pela encanação era a magia, Richard me
contara que quem colaborou para realizar o feitiço da encanação, fora Maison.
Eu abri a torneira
da pia do pequeno banheiro que parecia ser improvisado. Lavei as mãos e o
rosto, e agora seria uma boa hora para refletir o que acontecera com Grace.
Quando comecei a pensar as possibilidades do porque que ela não contaria a mim
quem era Kate, alguns sussurros muito perto começaram a invadir meus
pensamentos, e eles pareciam dizer “ vamos atacar agora chefe?” como resposta o
outro sussurro dissera “ vamos esperar mais um pouco, pode ser que ele não
esteja ai” “ é claro que esta chefe” “ Não me contrarie Pack!”. Os sussurros
pareciam vir de longe, mais ao mesmo tempo, pareciam sussurrar ao seu lado.
Pensei no que poderia ser, e logo passou pela minha cabeça que dali a segundos,
todos poderiam estar mortos. Balancei a cabeça fingindo não ter pensado
naquilo. Mas eu não sabia que era isto que iria acontecer...
Eu caminhei ate
minha cama após tomar uma ducha e lavar as mãos no banheiro. A cama era
aconchegante, muito confortável. Cobri-me com um cobertor grosso e peludo, e
finalmente, depois de um longo dia, pude deitar e refletir, mas os sussurros
não me permitiam fazer isto, eles vinham à tona e embaralhavam minha mente,
pois eram muita gente sussurrando ao mesmo tempo, e todos as vozes pareciam ser
de homens. Os sussurros não me deixava se quer fechar os olhos nem por alguns
segundos, estavam cada vez mais intenso, ate que eles pararam muito de repente,
e eu podia ouvir só um homem, mas agora ele gritara, para toda a praia:
– ATACAR!
O sono se fora, e
agora eu havia despertado, com os olhos arregalados. Levantei-me muito
rapidamente, assustado e atordoado. Todos os outros feiticeiros faziam o mesmo,
principalmente Richard que por sinal, era o que mais estava abalado.
Calcei o sapato,
abri a porta da minha cabana, e pela primeira vez, eu pude ver o que estava
acontecendo. Havia uma guerra ali, formada por lobos contra feiticeiros, e eles
lutavam pois eram inimigos, mas ninguém sabia por qual motivo estavam ali, pois
o normal era que eles ficassem cada um em seu território, sem invadir o do
outro, ao menos se tenha a permissão dos três poderosos.
De repente, eu
entrei na luta, na verdade, entrei forçando por dois lobos que me empurraram
ate eu sair totalmente da cabana e ficar no meio delas, onde estava ocorrendo a
guerra. Pude ver Grace fazendo escudos defensivos e invisível enquanto Logan e Luke, executava os feitiços
de ataque contra os lobos que tentavam lhes devorar. Pude ver a triste imagem
de lobos devorando alguns feiticeiros, o que fez uma lagrima cair dos meus
olhos e escorrer pelo meu rosto. Eu também estava em apuros, quatro lobos,
tentavam me devorar, e eu sem saber o que fazer, tentava somente fugir como
qualquer humano sem poder faria. Tentei desviar as dentadas que eles davam, ate
que chegou uma hora que pude ver que não daria mais para usar somente reflexos,
desviando e fugindo das dentadas dos lobos. Foi a hora em que eu cai de costas
na areia fria. Mais uns cinco lobos vieram me atacar, parece que o que eles
queriam realmente era a mim. Eles davam dentadas e mais dentadas, e eu era um
humano indefeso, tinha todo o poder para conseguir acabar com todos aqueles
lobos, mas eu não sabia executa-los. Eu sabia que já estava perto da morte, e
só faltava mais uma dentada para isto acontecer, e foi o que aconteceu. A boca
aberta daquele lobo, parecia vir em câmera lenta em minha direção, e a um
milímetro do meu corpo, a boca do lobo foi retirada por um feitiço que
provavelmente veio de trás. O lobo caiu feito pedra no chão de areia, e ficou
paralisado ali por um tempo.
– Não podia te
deixar morrer... – Disse uma voz delicada meio sarcástica.
Eu achava que a
voz era de Grace, pois não conseguia ver mais nada, as dentadas dos lobos,
afetara meus olhos... Estava cego, na verdade foi o que eu pensei por um
momento ate encontrar uma luz, o que na verdade era a lua cheia, com a forma da
mulher que aparecera toda a vez. Não sei como, mas eu não fiz nada, somente
olhando para o rosto da imagem da mulher na lua e a apreciei, de repente, eu
não podia ver, muito menos escutar nada, não sabia o que havia acontecido
durante muito tempo.