03/07/2012

- Capitulo 6 – A invasão dos lobos


Só agora é que estava tudo muito mais fácil de entender, Richard me contara tudo o que sabia, e eu pude descobrir que não era um garoto normal com pais normais e habilidades que todo garoto tinha... Não! Eu tinha poderes se é que se pode chamar assim, mas o que importa, é que eu acreditava neles e os fazia acontecer, pelo menos era o que eu esperava que Richard me ensinaria. Pude ver que tinha amigos de verdade, e o nomes deles eram Grace, Luke e Logan, todos eles me ajudaram a me levar ate aqui desde o começo e eu não duvidara de nada, quer dizer, não pelo fato de que eu lhes achei estranhos quando os conheci, mas eles de certa forma, conseguiram me levar ate aqui sem eu saber de praticamente nada.

Richard me mostrara ele levitando a água do mar e trazendo-a de um lado para o outro. Isso era o que ele chamava de feitiço concentrado, pois para lhe executar, tinha que haver total silencio e muita concentração. Mostrara-me também, como controlar a mente dos outros, tendo como ajudante Grace. Ele fez Grace sair andando pela floresta logo atrás da praia, e ela voltou quando ele desejou que a voltasse. Agora, com certeza eu não poderia afirmar que feiticeiros não existiam e que estas coisas eram somente historias, eles finalmente, me convenceram e eu estou muito certo que isto realmente existe e não tem alguém que possa provar o contrario.

Durante aquele dia, eu pude conhecer praticamente todas as pessoas que faziam parte daquela praia. Como sempre, em qualquer lugar tem que ter alguém que se responsabilize pelos ferimentos de todos os outros, e esse alguém era a enfermeira que não era muito boa em executar os feitiços defensivos e feitiços de ataque assim como Richard, mas ela era uma das únicas que conseguia executar feitiços curativos. Ela era a enfermeira Nancy.

Havia também, um casal de velhos, os Robersons. Eles executavam mais, feitiços defensivos do que de ataques. Túlio Rapper, era muito bom em feitiços que havia fogo, ao contrario de Maison, que executava melhor a água. Grace fazia mais feitiços defensivos, Logan e Luke executavam os feitiços de ataque. Enfim, todos podiam executar um tipo de feitiço melhor do que o outro, o que os tornavam tão especial, e era isto que eu queria descobrir de mim.

A noite chegara logo, e era esta hora que todos iriam descansar do dia ansioso que tiveram quando eu acordara depois de três dias inteiros. Túlio Rapper, com sua extraordinária habilidade de executar feitiços de fogo, fez com que o pedaço de madeira que havia no centro de todas as cabanas se ascendesse. O fogo era tão intenso, que no inicio quase alcançou o céu escuro, iluminado somente pela bela lua cheia. A lua era linda, e às vezes, quando eu olhava de relance, podia jurar que via a imagem de uma bela mulher parecendo me chamar. Eu não sei o que significava aquilo, podia ser qualquer coisa e eu acreditaria ate mesmo se fosse mentira, pois hoje eu descobri que é possível executar feitiços, o que não é normal.

Eu fui um dos únicos a ficar ali fora, apreciando a chama do fogo, pois não estava com nenhum pouco de sono já que dormira por três dias. Fiquei ali, vendo a fogueira junto a Grace. Ela às vezes, sorria e pude perceber que ela me fitava toda a vez que eu olhava para o sentido contrario de seus olhos. O vento começou a intensificar naquele lugar, e os cabelos cacheados e ruivos de Grace, acompanhavam o vento. O fogo foi apagado e assim, o local ficara escuro.

– Não se preocupe, eu ascendo o fogo novamente –

Grace se levantou da areia onde estava sentada e esticou suas mãos para os pedaços de madeira empilhados onde estará o fogo, e com pouca intensidade, já que não era tão boa em executar feitiços de fogo como Túlio, fez com que o fogo ascendesse novamente.

– Você é boa! – Elogiei Grace que por sua vez, corou.

– Não tanto como Túlio. Ele fez um fogo muito mais intenso do que eu fiz agora – Disse Grace ajoelhando na areia.

– Sente-se aqui do meu lado, é melhor do que sentar na areia...

Eu estava sentado em um enorme pedaço de madeira que servira como banco. Ela concordou, sentou-se ao meu lado e colou sua jaqueta sobre seu corpo por causa do frio. Ela tremia.

– Você esta com frio, quer minha blusa? – Lhe indaguei

– Não precisa, estou bem.

O silencio se retomou, e o barulho de grilos cantando se ressaltou. Eu não tinha mais o que falar para ela, estávamos ali somente apreciando as chamas do fogo, olhando a lua que parecia aumentar, e observando o céu estrelado. No segundo depois, ela se arrastou no banco juntando-se mais perto de mim e deitou no meu braço encolhendo-se por causa da brisa fria geando naquela praia. Agora eu podia afirmar que estava muito frio.

– Brian, eu vou lá à minha cabana pegar mais uma blusa, e já volto ta? Esta muito frio!

– Tudo bem! Daqui a pouco eu vou entrar também.

Grace levantou-se e seguiu em direção da cabana que na porta havia uma indicação em uma placa de madeira que dizia “ Kate e Grace ”.Deveria ser os nomes de quem morava ali, só não sabia se havia alguma Kate na praia. Comecei a reparar nestas placas de madeira em todas as portas, e elas diziam: “ Ashley e Maison” ao lado direito desta “ Túlio e Carl” “ Richard” “Robersons” e ao lado desta, finalmente encontrava-se a minha que havia um nome por baixo a qual eu não conseguia ler direito pois ele estava praticamente apagado. Meu nome estava por cima deste praticamente apagado “Brian Pettry”.

Grace voltou, com uma blusa ainda maior do que a outra que ela estava. Ela fechou novamente sua porta de madeira e deixou Kate sua companheira, ou seja o que for, naquela cabana sozinha.

– Quem é Kate? – Lhe indaguei

Grace arregalou seus olhos claros, e parecia que não queria falar desta tal Kate. E era isto mesmo:

– Brian me perdoe, mas eu não quero falar dela para você...

– O que? Não confia em mim? – Eu lhe vi de relance, e voltei o olhar para ela novamente, ela parecia triste.

– Não é isto, só não contei isto para ninguém, e não é pra você que eu contarei. Na verdade, nos conhecemos a uma semana.

– Eu posso lhe ajudar...

– Desculpe Brian, mas a única coisa que eu posso lhe dizer, é que ela não esta mais aqui, a Kate.

Grace ainda estava de pé e não parecia a vontade com aquela conversa. Acho que ela estava certa, não era a mim que iria contar pois ainda não tínhamos tanta intimidade ou mesmo amizade uns com os outros.

– Desculpe Brian – Repetiu Grace se virando novamente para a sua porta de sua cabana­­ – Eu acho que vou entrar... o frio esta piorando, acho que você deveria fazer o mesmo, ao menos que queira pegar um resfriado. Boa noite.

– Boa noite

Grace virou-se completamente sem dizer mais nada. Acho que ela se magoara. Ela entrou em sua cabana e com a porta semiaberta, sorriu. Agora estava sozinho ali em volta daquela fogueira, não tinha mais nada para fazer diante das chamas do fogo, então eu decidi que iria entrar na minha cabana e tentar dormir para o tempo passar rápido. Foi isto o que fiz.

A minha cabana, era a mais perto da floresta que ficara escura de noite. Olhei meu relógio de pulso pensando que eram umas onze horas da noite, mais me enganei, já era quase uma hora da madrugada. Dentro de minha cabana, estava mais quente pela palha que servira como “cobertor” do cômodo. Tirei os sapatos e os coloquei ao lado da cama com a intenção de acordar na manha seguinte e coloca-los novamente. Caminhei ate a outra porta que ficava mais no fundo e mais perto ainda da floresta sombria e escura, lá era o banheiro. Este era o padrão de todas as cabanas que continha um quarto com duas camas rústicas, uma mesa, duas cadeiras; e no banheiro, havia normalmente um vaso sanitário, uma pia e um chuveiro, tudo como se tivesse encanação e água em uma ilha perdida no mar, mas na verdade, o que se responsabilizava pela encanação era a magia, Richard me contara que quem colaborou para realizar o feitiço da encanação, fora Maison.

Eu abri a torneira da pia do pequeno banheiro que parecia ser improvisado. Lavei as mãos e o rosto, e agora seria uma boa hora para refletir o que acontecera com Grace. Quando comecei a pensar as possibilidades do porque que ela não contaria a mim quem era Kate, alguns sussurros muito perto começaram a invadir meus pensamentos, e eles pareciam dizer “ vamos atacar agora chefe?” como resposta o outro sussurro dissera “ vamos esperar mais um pouco, pode ser que ele não esteja ai” “ é claro que esta chefe” “ Não me contrarie Pack!”. Os sussurros pareciam vir de longe, mais ao mesmo tempo, pareciam sussurrar ao seu lado. Pensei no que poderia ser, e logo passou pela minha cabeça que dali a segundos, todos poderiam estar mortos. Balancei a cabeça fingindo não ter pensado naquilo. Mas eu não sabia que era isto que iria acontecer...

Eu caminhei ate minha cama após tomar uma ducha e lavar as mãos no banheiro. A cama era aconchegante, muito confortável. Cobri-me com um cobertor grosso e peludo, e finalmente, depois de um longo dia, pude deitar e refletir, mas os sussurros não me permitiam fazer isto, eles vinham à tona e embaralhavam minha mente, pois eram muita gente sussurrando ao mesmo tempo, e todos as vozes pareciam ser de homens. Os sussurros não me deixava se quer fechar os olhos nem por alguns segundos, estavam cada vez mais intenso, ate que eles pararam muito de repente, e eu podia ouvir só um homem, mas agora ele gritara, para toda a praia:

– ATACAR!

O sono se fora, e agora eu havia despertado, com os olhos arregalados. Levantei-me muito rapidamente, assustado e atordoado. Todos os outros feiticeiros faziam o mesmo, principalmente Richard que por sinal, era o que mais estava abalado.

Calcei o sapato, abri a porta da minha cabana, e pela primeira vez, eu pude ver o que estava acontecendo. Havia uma guerra ali, formada por lobos contra feiticeiros, e eles lutavam pois eram inimigos, mas ninguém sabia por qual motivo estavam ali, pois o normal era que eles ficassem cada um em seu território, sem invadir o do outro, ao menos se tenha a permissão dos três poderosos.

De repente, eu entrei na luta, na verdade, entrei forçando por dois lobos que me empurraram ate eu sair totalmente da cabana e ficar no meio delas, onde estava ocorrendo a guerra. Pude ver Grace fazendo escudos defensivos e invisível  enquanto Logan e Luke, executava os feitiços de ataque contra os lobos que tentavam lhes devorar. Pude ver a triste imagem de lobos devorando alguns feiticeiros, o que fez uma lagrima cair dos meus olhos e escorrer pelo meu rosto. Eu também estava em apuros, quatro lobos, tentavam me devorar, e eu sem saber o que fazer, tentava somente fugir como qualquer humano sem poder faria. Tentei desviar as dentadas que eles davam, ate que chegou uma hora que pude ver que não daria mais para usar somente reflexos, desviando e fugindo das dentadas dos lobos. Foi a hora em que eu cai de costas na areia fria. Mais uns cinco lobos vieram me atacar, parece que o que eles queriam realmente era a mim. Eles davam dentadas e mais dentadas, e eu era um humano indefeso, tinha todo o poder para conseguir acabar com todos aqueles lobos, mas eu não sabia executa-los. Eu sabia que já estava perto da morte, e só faltava mais uma dentada para isto acontecer, e foi o que aconteceu. A boca aberta daquele lobo, parecia vir em câmera lenta em minha direção, e a um milímetro do meu corpo, a boca do lobo foi retirada por um feitiço que provavelmente veio de trás. O lobo caiu feito pedra no chão de areia, e ficou paralisado ali por um tempo.

– Não podia te deixar morrer... – Disse uma voz delicada meio sarcástica.

Eu achava que a voz era de Grace, pois não conseguia ver mais nada, as dentadas dos lobos, afetara meus olhos... Estava cego, na verdade foi o que eu pensei por um momento ate encontrar uma luz, o que na verdade era a lua cheia, com a forma da mulher que aparecera toda a vez. Não sei como, mas eu não fiz nada, somente olhando para o rosto da imagem da mulher na lua e a apreciei, de repente, eu não podia ver, muito menos escutar nada, não sabia o que havia acontecido durante muito tempo.

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