05/04/2012

-Capitulo 1- Minhas férias são entediantes em Los Angeles

 
Às vezes, me pergunto se essas férias iriam ser mais divertidas no lugar onde eu "morava" no Brasil, Rio de Janeiro. Mas infelizmente, ainda não tenho idade o bastante para decidir onde quero ficar quando meus pais mudam para Los Angeles só porque meu tio ganhou na loteria e de repente fica milionário. Sim! Meu pai e minha mãe decidiram mudar para a "cidade do pecado" junto com meu tio milionário Róger. A cidade parecia perfeita, só não por estar no andar de baixo do apartamento de Róger.  Quando meu tio ficou milionário, famoso, e quando investiu quase todo seu dinheiro em um dos maiores edifícios de Los Angeles, acho que mamãe, Laísa ficou interessada em sua fortuna. Se não fosse pela "tal" loteria, eu não estaria aqui em meu quarto, sendo obrigado a estudar o inglês para poder me relacionar com as pessoas da cidade do pecado. Passar as férias, estudando a matéria em que no Brasil só tirava notas baixas, era um suicídio para mim.
Eu preferia estar no clima quente no Rio de Janeiro, do que no mar frio de Los Angeles, onde só é famosa. Para mim era como entrar em uma banheira cheia de gelo, onde era obrigado a ficar nela, pois meu corpo ficava totalmente paralisado dentro da água como uma estátua.
Acho que não seria assim no meio do ano onde era o “verão” de Los Angeles, mas sempre tem de acontecer da pior maneira comigo. Teria que sair do verão no Brasil para ir ao inverno nos Estados Unidos.
Eu era muito azarado, principalmente na escola, eu sempre odiava ser o primeiro aluno da lista de chamada, sentar nas primeiras carteiras, e nos dias que faltava eram os mais importantes do ano.
Me chamo Brian Pettry e contarei minha história aos quatorze anos, quando mudei para Los Angeles, e que depois disso, todo mudou... Como mágica.
Tudo começou no meu primeiro dia na cidade do pecado, quando cheguei ao aeroporto Turtick, me animei em estar em uma nova cidade, onde acreditaria que tudo seria simplesmente fácil... Mas não foi. Quando pude ver pela primeira vez meu apartamento, tio Róger já veio se gabando, falando de sua fortuna que ganhava todo mês, isso era difícil de aturar. Mas o pior mesmo foi quando minha mãe Lilian começou a praticar o inglês comigo (fui obrigado). Quando fomos visitar a praia fria de Los Angeles e quase congelei no mar. Tínhamos que usar roupas de frio, como duas blusas de mangas compridas, jaquetas e calças com quase dois centímetros de grossura.
Eu ainda estava no mar, e lutava para sair dele. De repente, a água pareceu me puxar, eu fiquei lutando contra a força da água, que me puxava para traz. Foi a primeira “coisa estranha” que me aconteceu. Por sorte me salvei, na verdade foi meu pai Henry que me levou de volta para a areia e ele dizia como se fosse normal “o mar deve estar agitado só isso”. Mas não! Senti uma pressão muito forte na água... Não podia ser só o mar agitado. Não sei explicar bem ao certo como isto ocorreu.
Meu pai me levou até a cadeira com um guarda-sol, onde estava minha mãe lendo um livro, quando parou para olhar para nós indo em sua direção. Estava um pouco tonto, minhas pernas cambaleavam, e assim meu pai carregou um pouco do meu peso colocando meu braço em seus ombros. Cheguei até minha mãe, que viu minha cara pálida, e como sempre foi dramática:
– Filho! – ela se levantou da cadeira e colocou suas mãos frias em meu rosto – você esta bem? O que aconteceu? O que esta sentindo?
Estava ainda mais tonto que antes, cambaleando feito um bêbado, minha cara mais pálida, de repente tudo se apagou.
Acordei no meu quarto, na minha cama, do lado de minha mãe, que estava sentada na poltrona.
– O que aconteceu? – perguntei a Lilian ainda meio tonto.
– Você desmaiou querido! Eu não sei.
– Eu senti algo me puxando para traz e me senti mal.
– Seja o que for, descanse mais tarde irá praticar o inglês.
Chateei-me quando minha mãe me disse isso, não foi só, ela continuou:
– Depois iremos fazer sua matrícula.
Estava muito bom para ser verdade... Disse que eu não tinha sorte? Tudo tinha que ser na pior hora. Iria estudar em uma nova escola, iria conhecer novos amigos, e iria ficar com as mesmas notas baixas. Tinha dificuldade para estudar, pois a dislexia fazem as letras embaralharem como se estivesse girando em sua mente. Isto dificulta muito a leitura das frases ou palavras. Eu não lia, alguém teria que ler para mim, assim guardo em meu cérebro uma coisa ou outra. Tinha a certeza, que no começo do ano, os professores vão cobrar mais de mim, principalmente por eu não saber o inglês, e não só pela dislexia.
Ainda no Brasil, fiz quarenta e dois dias um curso de inglês, pois já sabia que passaria a viver aqui, na cidade do pecado, onde tudo de errado esta em Los Angeles. Sim! Tudo que imaginarem de errado tem em Los Angeles, em grande quantidade.
Virei meu corpo para o lado oposto da porta, fechei meus olhos verdes acizentados, e dormi no quarto de luxo. Estava exausto pelo fuso horário.
Depois de meia hora acordei com meu pai me chamando para praticar o inglês. Dormir também era bom demais para ser verdade. Não demorou muito para começar a “aula” de inglês, onde o tio Róger ajudou com o livro da unidade dois de trezentas e trinta e sete paginas. Ele dizia que com estes livros que aprendeu inglês, e que eu também aprenderia.
Fiquei cinco horas estudando e praticando um tal de SIMPLE PAST e SIMPLE PRESENT. Basicamente, sabia o inglês, e minha mãe ainda me forçava a assistir filmes em inglês, jogar vídeo game em inglês, e ao longo do dia, ela simplesmente falava em inglês comigo. Minhas poucas horas de diversão se tornavam em horas de estudos. Ainda não acreditava! Tive que deixar meus melhores amigos no Brasil, para vir ate a cidade do pecado. Sei que devem achar que estar em Los Angeles, com uma população de 3.694.820, com praia, lugares extremamente extraordinários, seria o máximo. Mas não pra mim, que tenho que aturar minha família reclamando comigo o dia inteiro. Acho que meu primeiro ano na cidade do pecado iria ser difícil, mas espero que isso possa mudar, quando eu me acostumar com a nova escola e com o odiado inglês.
– Filho?– Chamou-me minha mãe dando três soquinhos delicados na porta fechada do meu quarto.
– Sim? – Lhe respondi abrindo a porta do quarto de luxo.
WANT TO GO THE MARKET TO BUY COOKIES?
Ela dizia: ''Quer ir ao mercado para comprar biscoitos?'' Tinha a plena certeza que já tinha biscoitos o suficiente em casa, e ela só estavam fazendo aquilo para eu poder praticar meu inglês na rua. Mas não podia dizer nada alem de "Sim''.
- YES!
Sai do edifício Pettry, e vi a linda vista do mar avançando, e recuando suavemente, formando pequenas ondas. Logo ao lado, havia o '' MARKET '' que minha mãe tinha falado. Entrei no pequeno mercado abrindo a porta que rangia, e acionei o sino acima dela, avisando que tinha chegado. Havia duas ou três pessoas olhando as prateleiras alem de mim. Peguei os biscoitos, e fui até o homem que nos atendia, ele recebia o dinheiro. Ele era velho, barbudo, magro, e seus poucos fios de cabelos grisalhos, voavam suavemente com o vento do ventilador ao seu lado. Senti pureza e bondade no velho, alem da mesma energia que senti no mar me puxando para trás. O velho tinha olhos inteiramente brancos, o que parecia bastante estranho. Ele, com seu indicador trêmulo, apertou alguns números em sua calculadora ao seu lado. Estava na hora de praticar meu inglês com o velho:
– AS THE COOKIES WAS?
Saiu perfeito, eu parecia mesmo um norte americano. Mas, incrivelmente, o velho barbudo de olhos brancos disse a mim:
– Não precisa falar o inglês comigo meu caro jovem!
Ele sabia o português. Pelo menos, não teria que me esforçar para poder lhe entender.
– Ótimo! Sabe o português! Eeer... quanto deu os biscoitos?
O velho mostrou a tela da calculadora que obtia o resultado. Peguei alguns dólares amassados do meu bolso, e lhe entreguei, e em troca, peguei o biscoito em cima do balcão e o agradeci. O senhor me respondeu com uma reverencia afetuosa, e antes de sair do mercado, reparei em um cartaz acima do balcão onde fui atendido.

                                                               “Sua hora está chegando...
                                                                   Tenha um bom dia!”

Achei estranha aquela frase para um mercado. O senhor sorriu pra mim ate eu sair pela porta da frente, e ter a linda vista do mar novamente. Entrei no edifício, e subi trinta e cinco andares no elevador panorâmico, ate chegar ao meu apartamento de número 140. Bati três vezes delicadamente na porta, e um homem de cabelos castanhos, quase loiro escuro, atendeu. Era meu pai Henry.
-Cadê mamãe?  -Perguntei ao meu pai.
-Ele foi te matricular na academia Devolopys.
-Devolopys? Vou estudar lá?
-Sim! Qual é o problema?
-Nenhum, só estou te perguntando...
-O que é isso em sua mão garoto?
Eu entrei no apartamento, e me sentei no grande sofá vermelho, entregando os biscoitos na mão do meu pai.
-São só alguns biscoitos que mamãe pediu pra comprar...
Antes de terminar de falar, meu pai já estava devorando o segundo biscoito.
-Isto é bom! - Disse ele indo para a cozinha.
Eu fiquei pensando naquele cartaz do supermercado e no velho do caixa. Eu não sei por que, mas não dava para parar de pensar em outra coisa alem do velho barbudo. “Sua hora está chegando...” O que isso quer dizer? Será que minha hora de ir à nova escola, a academia Devolopys está chegando? Não deixo nada pra trás, e todo detalhe tem seu significado. Pode ser uma coisa boba ou não. Mas de alguma forma eu sabia que não era, pois a mesma energia que senti no mar, me puxando, senti também ao lado daquele velho. Pensei e pensei, e descobri algo, se eu imitei perfeitamente um americano, como ele descobriu que eu sou brasileiro? Bem, ele pode ter percebido um sotaque meio estranho para um americano, mas mesmo assim, isso era no mínimo muito estranho.
A todo momento do meu dia, isso fez parte dos meus pensamentos. Será que isto era algum tipo de mistério?

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